CAPS AD VIDA NOVA
O Centro de Atenção Psicossocial é um serviço comunitário aberto de atenção diária constituído por uma equipe multidisciplinar destinado a acolher, tratar e reabilitar dependentes de álcool e outras drogas tendo como algumas das funções responsabilizar-se, pelos casos mais graves, aqueles casos que apresentam um padrão de dependência ou grave comprometimento sócio-familiar elaborando tratamento individualizado baseados nos conceitos de eqüidade visando integrar o usuário de SPA e seus familiares no programa de atendimento estabelecido pelo serviço através de ações intersetoriais que envolvam educação, trabalho, esporte, cultura e lazer, montando estratégias de enfrentamento dos problemas.
Oferecemos tratamento para a melhoria das condições mentais e clinicas do doente através dos serviços oferecidos. Visamos a reinserção social, recuperando-os como cidadãos proporcionando oportunidades de criação de novas possibilidades e reinvenção do cotidiano sem o uso de álcool e drogas trabalhando o aspecto saudável do indivíduo, possibilitando-lhe ver-se como pessoa inteira e competente, dando-lhe também a consciência de seus limites favorecendo a busca da harmonia e do equilíbrio emocional.
Tipos de serviços oferecidos: Acolhimento, atendimento ambulatorial (psicológico, psiquiátrico, clinico, enfermagem e assistência social), grupos terapêuticos, oficinas de arte, artesanato e reciclagem, oficina de jornal (INFOCAPS) e horta.
A equipe: Coordenador, Psiquiatra, Psicóloga, Assistente Social, Educadora Artística, Enfermeira, Técnica de Enfermagem, Serviço Administrativo.
Endereço: Rua Rocca Sales Nº 55, parada 47 – Alvorada – RS
Telefone: (51) 3411.8011
Abaixo o mapa de localização do CAPS VIDA NOVA: |
OFICINAS DE ARTE, ARTESANATO, RESTAURAÇÃO E RECICLAGEM NA REABILITAÇÃO DE DEPENDENTES QUÍMICOS
CAPS AD – ALVORADA – RS
Sandra Helen Bittencourt Meyer
Educadora Artística e Especialista em Saúde Mental Coletiva
E-Mail - sameystar@hotmail.com
As oficinas de arte, artesanato, restauração e reciclagem abrem um caminho para que o indivíduo descubra possibilidades de expressão e ver-se pertencendo, recebendo acolhimento e reasseguramento individual ou em grupos tendo como alguns objetivos, acolher o sujeito com toda a sua diversidade auxiliando na procura de novos sentidos para a sua vida proporcionando atividades coletivas para que os usuários possam ampliar seus potenciais de convívio interpessoal, transitando em acontecimentos onde as frustrações e conquistas possam ser compartilhadas e expressas. Visamos também estimular o usuário na reflexão sobre o seu trabalho, apresentando novos meios de expressão e materiais para desenvolver e concretizar a sua idéia trabalhando o aspecto saudável do indivíduo, possibilitando-lhe ver-se como pessoa inteira e competente dando-lhe também a consciência de seus limites favorecendo a busca da harmonia e do equilíbrio emocional.
Buscamos a valorização do próprio esforço do sujeito e a segurança de conhecer-se capaz de executar qualquer tarefa sem a necessidade de qualquer estímulo químico desenvolvendo o bem-estar, proporcionando assim uma melhora significativa na qualidade de vida dos usuários através do desenvolvimento de hábitos saudáveis. Através das atividades da oficina buscamos resgatar o potencial criativo do sujeito, resgatando a psique saudável através do estimulo à autonomia e transformação interna através da expressão de sentimentos difíceis de verbalizar viabilizando a reinserção social, recuperando-os como cidadãos proporcionando oportunidades de criação de novas possibilidades de reinvenção do cotidiano sem o uso de álcool e drogas.
As oficinas oferecem atividades artísticas envolvendo desenho, construção, recorte/colagem, pintura, modelagem, reciclagem e artesanato. Os materiais usados em cada modalidade variam entre os tradicionais, materiais reciclados e orgânicos coletados pelos próprios usuários dos serviços e doações da comunidade. Os encontros acontecem durante o horário de funcionamento do CAPS AD e os usuários são inseridos nas oficinas conforme a indicação do seu plano terapêutico. O dinheiro arrecadado nas vendas em feiras que participamos é revertido em materiais para novos trabalhos, lanches para os participantes da oficina e também revertido em passeios culturais que envolvam arte, artesanato e reciclagem.
Tomar o sujeito como único é fundamento para conseguir compreender seu sofrimento e suas necessidades, o que é possível àqueles que apostam na sensibilidade como instrumento básico na relação e no cuidado humano. No caso da prática de atividades artísticas em grupo se estimula o sujeito a se sentir fazendo parte de um coletivo, em que partilha dificuldades semelhantes. Com isto companheirismo, intimidade, satisfação, apoio, proteção, ajuda são aspectos constantemente discutidos. Assim é comum, por exemplo, que, ao criar algum objeto e se surpreender com tal possibilidade, o grupo esteja ali, para reassegurar tal conquista.
As atividades artísticas são fonte de aprendizagem, possibilitando ao sujeito tornar-se confiante, em si e no outro, na busca da concretização de seus objetivos de vida pessoal e profissional. Ou seja, nos espaços das oficinas é possível acompanhar o processo criativo dos usuários, oportunizando capacitação e inclusão social, por meio do incentivo às produções. Mas, também, no alívio de tensões e no desenvolvimento de estratégias contra a fissura, exteriorizando suas alegrias, temores, frustrações, angústias e fantasias.
No ato de criar uma obra artística ou artesanato o sujeito trabalha, entre outros aspectos, o equilíbrio psicológico, o que colabora no despertar de valores, transformações de crenças, no desenvolvimento motor, intelectual e social auxiliando no crescimento afetivo, psicomotor e cognitivo. Isto gera o prazer da descoberta, de formas mais satisfatórias de se expressar e desenvolver o autoconhecimento e a auto-estima. Trabalhando sobre os aspectos saudáveis estimula-se o sujeito para que se perceba em seus aspectos positivos, mas, também, em suas dificuldades. Competente para buscar formas novas de interação com o mundo, enfrentando os desafios da vida com criatividade. A criatividade, que é esse potencial humano que, nos múltiplos encontros com a vida, vai se revelar e desabrochar. Neste sentido, se pode afirmar, que uma vida plena e saudável é uma vida criativa.
As oficinas têm importante papel nestes momentos de reorganização, convivência em grupo, auto-gestão, regras, limites, liderança, servindo, também, como espaço para a expressão de sentimentos. No espaço das oficinas é possível descobrir dificuldades e facilidades em relação a si e a terceiros. Assim como, diante de determinados objetos, reciclar é transformar. A vida, de cada um, também pode ser transformada. Para isto é preciso planejar, traçar objetivos, tomar decisões, seguir determinadas regras. E, ao traçar paralelos entre arte/ vida imaginar possibilidades e limites diante de determinados materiais, ou situações do cotidiano, sabendo lidar com as frustrações e os resultados alcançados com as peças/ objetos ou as peças que a vida prega.
Exposições e feiras, onde os trabalhos produzidos são expostos e comercializados, são apreciadas por todos participantes. Nos eventos fica notória a satisfação e o orgulho com que os participantes exibem seus trabalhos para serem admirados pela comunidade. E não se sentem intimidados em comunicar que estão em tratamento no CAPS-AD, ao contrário, demonstram orgulho por buscar novas perspectivas de vida. Mesmo porque, antes do tratamento, eram tidos como um “grande problema para as famílias e para a comunidade”. Os lucros, auferidos nas vendas, ou revertem em compras de materiais para as oficinas, ou conforme a decisão do grupo, servem, por exemplo, para a compra do lanche diário e também passeios escolhidos por eles, como eventos que envolvam arte, artesanato e reciclagem.
A queda no número de recaídas e/ ou internações, daqueles que tem participado das oficinas, é um dado a ser destacado. Além disto, quando ocorrem recaídas ou internações, possíveis em doenças crônicas/ incuráveis, a adesão ao tratamento, e, no caso, as oficinas tem se fortalecido, eles retornam ao CAPS-AD e às atividades mais motivados a reassumirem seu tratamento.
Nesse ciclo de reinserção, novas relações sociais são estabelecidas, facilitando o rompimento com os vínculos anteriores, presentes no ciclo do tráfico e da utilização de drogas e do álcool. Há casos de usuários que após estarem abstinentes, reorganizados e de terem voltado ao convívio social, escolherem fazer trabalhos artísticos como estratégia no manejo da fissura e complementação de renda. A produção, através da arte/artesanato/reciclagem/restauração, abre possibilidades aos participantes do grupo, que são estimulados a pensar criativamente novas soluções no trabalho e na vida sem a necessidade da busca por estímulos químicos. Neste sentido, o dispositivo oficina postula espaço entre as tecnologias em saúde, como alternativa possível às dependências.
Adquira os nossos produtos através do site e você estará colaborando conosco. |